24 de June de 2017 5:30:58

Zagueiro Deivson supera o câncer e segue sonho de voltar aos gramados

Deivson de Pinho Barbosa. Idade, 26 anos, recém completados no última dia 19. Baiano, de Salvador. Brasileiro que não desiste nunca, luta e acredita no sonho. Para alguns, talvez apenas mais um nome entre tantos milhões neste Brasil, mas para outros, com certeza, o atleta Deivson, é exemplo de superação, garra e fé.

Após sair vitorioso no duelo pela vida em 2014 contra o linfoma – um tipo de câncer que tem origem no sistema linfático -, atualmente, este zagueiro se divide entre manter uma rotina de treinos e um estágio na mesma academia em Salvador, enquanto aguarda por uma oportunidade de seguir seu sonho na carreira profissional de jogador de futebol.

A história deste jovem chegou até o Redação em Campo e nas próximas linhas você confere um pouco sobre quem é o zagueiro Deivson, o que ele passou e como superou um câncer e sua persistência pelo sonho.

Redação em Campo – Como você iniciou sua carreira no futebol? Com qual idade, foi pra escolinha de futebol?

Deivson Barbosa – Com 4 anos meu pai já me levava para os jogos com os amigos dele, enquanto ele jogava eu ficava do lado de fora chutando bola, às vezes sozinho, outras no meio de outros meninos que também eram levados pelos pais.

Depois com 8, 9 anos fui para uma escolinha de futebol aqui em Salvador chamada Gol de Placa com o professor Ivo, não sei se ele ainda está à frente, com 11 fui para a escolinha do Bahia com o Professor e ex-jogador do Bahia, Zé Augusto, e em seguida com 15 anos fui para a divisão de base da Associação dos Bancários da Bahia (ABB) com o técnico Edson Fabiano que hoje comanda o time juvenil do Bahia.

Deivson pelo Morrinhos Futebol Clube-GO. Foto: Divulgação

RC – Quando você percebeu que gostaria de seguir a carreira de jogador?

Sempre gostei de futebol, quando pequeno dormia com a bola grudada comigo na cama, e aos domingos quando meu pai acordava bem cedo para ir jogar com os amigos eu já dormia com o uniforme no corpo, camisa, calção e meião, pra não perder a oportunidade de brincar atrás do gol enquanto ele jogava!

RC – Em que ano você começou a jogar profissionalmente, com qual idade e em quais clubes passou? 

Comecei profissionalmente tarde, minha família sempre me apoiou, mas também sempre falou que eu tinha que estudar, então, quando estava na divisão de base do Bahia em 2009, eu tive que escolher em continuar lá ou prestar o vestibular e ir pra faculdade no ano seguinte, como já estava com 18 para 19 anos, optei pelos estudos, fui cursar educação física, mesmo tendo em mente que voltaria a jogar de qualquer jeito.

Em 2013, o zagueiro atuava pelo Aparecida-GO. Foto: Divulgação

Em 2012, voltei com tudo para o futebol, a fim de me profissionalizar e finalmente dar início a minha carreira, tentei em muitos clubes, fui para Sergipe tentar no Boca Junior, em São Paulo onde tentei no XV Piracicabano, São Caetano, Barueri, mas foi no estado de Goiás em 2013 onde consegui dar início, no Morrinhos, onde me profissionalizei, mas não consegui jogar por lá e fui para o Aparecida para jogar a segunda divisão estadual, infelizmente por desorganização acabamos caindo para a Terceira Divisão e como eu não tinha empresário nem contatos com clubes não consegui mais jogar em 2013.

RC – Em 2014 você foi diagnosticado com câncer. Você estava atuando em qual clube nesta época? E como descobriu a doença?

Em 2014, no início do ano, com a ajuda de amigos fui tentar a sorte em São Paulo no União São João para disputar a segunda divisão (BZinha) com o professor Celinho, e foi lá que comecei a ter alguns problemas de saúde, suores noturnos, me sentia às vezes fraco, e não conseguia ter melhor desempenho em campo, consequência, fui dispensado.

Quando voltei para casa, percebi um caroço bem pequeno na cervical direita, e esse caroço crescia a cada dia, procurei um especialista em cabeça e pescoço durante o resto do ano, depois da Copa do Mundo, e finalmente consegui, no Hospital Aristides Maltês aqui mesmo em Salvador com o Dr. Caio.

Deivson foi diagnosticado com linfoma em 2014. Foto: Arquivo pessoal

RC – Como foi este período de luta contra o Linfoma? Inicialmente, pensou que não poderia mais voltar a jogar futebol?

Eu não sabia direito o que estava acontecendo, sei o que é um câncer, mas não tinha ideia do que me aconteceria, para mim, acreditava que faria um tratamento normal e logo ficaria bom para voltar a minha vida normal, jogar futebol, cuidar do meu filho, mas não foi dessa maneira. O tratamento de quimioterapia era forte, perdi peso, 16 kg a menos, todo pelo do corpo caiu, me sentia fraco, não conseguia comer direito, tive momentos que saía do hospital pensando em desistir, que não aguentaria mais, e minha família me fortalecia e me fazia acreditar que tudo aquilo iria passar e que eu poderia retomar minha vida e meia objetivos que era jogar futebol profissionalmente.

RC – Você teve algum apoio de clubes na ajuda do tratamento?

Não, nenhum clube me ajudou em nada, até tentei mandar e-mail para alguns pedindo ajuda, mas não tive êxito.

RC – Você fez o tratamento em qual cidade, qual hospital?

Fiz aqui em Salvador mesmo, inicialmente no Hospital Aristides Maltês, pois não tenho plano de saúde mais, em seguida fui abençoado e selecionado para participar de uma pesquisa no Hospital São Rafael, já que minha idade e características batia com o que eles precisavam, tive o melhor tratamento possível, tudo que precisou ser feito, fiz lá, sem custo nenhum para meu bolso.

RC – O ator Reynaldo Gianecchini teve em 2011 o mesmo tipo de câncer que você foi diagnosticado e em 2012 ele estava atuando em telenovelas. De certo modo, essa e outras histórias te inspiram a continuar no sonho de seguir na carreira de futebol?

Sem duvidas, a história dele me fez ficar mais forte sim, até porque a situação dele era muito mais grave que a minha, além dele, tenho uma amiga que praticamente viveu de novo, passou por um câncer raro e sobreviveu milagrosamente, hoje está cheia de saúde e vivendo bem!

Deivson comemora a vitória pela vida. Foto: Arquivo pessoal.

RC – Se houvesse uma proposta de um clube para você hoje, o que você diria ao presidente e torcedores deste clube?

Nossa, seria espetacular para mim, sem dúvidas agradeceria muito e daria ainda mais do que o meu melhor para ser digno de usar qualquer que fosse a camiseta, certeza que raça e vontade de vencer todos iriam ver em campo!
Diria aos torcedores: “aqui vocês vão ver um jogador que não desistirá nunca”.

RC – Quem é seu ídolo?

No futebol o Maldini, zagueiro que atuou apenas por um clube por toda vida, a dedicação que tinha, respeito pelo clube, e dentro de campo era indiscutivelmente um monstro. Na vida, o meu pai, por ter dedicado mais do que a metade da vida dele para a família, pelo cuidado e amor que demonstra mesmo quando tem que dar um puxão de orelha (risos).

RC – E para finalizar, quem te inspirou a jogar futebol?

Eu sempre assistia o Raí jogando no São Paulo, a técnica dele, o jeito clássico de tratar a bola, era incrível!
Encontrei com ele uma vez quando pequeno no aeroporto, quase que tive um treco, tremia feito vara verde, gaguejei muito para pedir um autógrafo em um simples papel.

Siga em:
Coritiba ‘muda a c
Foz Cataratas realiz

CEO & Founder do Redação em Campo. Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná (UTP) e pós-graduada em Marketing pela PUC-PR. Certificado DDJ (European Journalism Centre). Atualmente, professora dos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Rádio e TV da Universidade Tuiuti do Paraná. Curitibana, viciada em futebol de segunda divisão e em aprender idiomas. Aprendiz de empreendedorismo, amante da astronomia, rock n’ roll e defensora dos animais nas horas vagas.

Classifique este artigo