VGD: Solução ou dor de cabeça?

Às vésperas de mais um Campeonato Paranaense, as especulações do Londrina Esporte Clube mandar suas partidas do estadual no Estádio Vitorino Gonçalves Dias (VGD) voltam à tona. Para que o local esteja em condições de receber partidas, algumas situações precisam ser alteradas, além de reformas no local, para que seus laudos sejam liberados. Agora, vale a pena o Tubarão mandar suas partidas no VGD? O estádio seria uma solução ou uma dor de cabeça para o clube?

Com a linha de pensamento da diretoria do Londrina no Campeonato Paranaense, onde o gerente de futebol, Ocimar Bolicenho argumentou que o clube irá jogar a competição com um elenco do tamanho do campeonato, o Estádio do VGD perfeitamente irá comportar as cinco partidas que o time terá no estadual, por enquanto. Sabemos que o Vitorino não é nenhuma Arena da Baixada dentro do padrão FIFA, só que se compararmos o VGD com outros estádios da elite paranaense, ele não deixa a desejar a nenhuma deles, como o caso do Estádio ABC, em Foz do Iguaçu ou o Estádio Albino Turbay, em Cianorte. Outros exemplos podem ser em relação ao Campeonato Paranaense de 2018, onde houveram jogos no Estádio Newton Agibert, em Prudentópolis ou o Estádio Anilado, em FranciscoBeltrão.

O presidente do Londrina, Cláudio Canuto, disse que a volta dos jogos ao VGD sempre esteve nas pautas do clube. “Nós nunca desistimos de mandar os jogos do Paranaense aqui [VGD], neste momento passou por algumas adequações, ano passado nós tínhamos tudo liberado, mas os bombeiros acabaram vindo agora neste ano e colocaram algumas condições para estarmos mudando, nós já mudamos. Estamos esperando o capitão dos bombeiros para fazer a liberação, então vamos para a Polícia Militar (PM), para ver se eles liberam. Estamos tratando com uma empresa para vir e fazer a colocação dos refletores, então o VGD precisa estar com os refletores liberados, também contratamos uma empresa para fazer a recuperação do gramado, que está bastante ruim. O projeto para liberar o VGD para o Campeonato Paranaense, o Londrina irá fazer, se lá na frente vamos conseguir junto a federação, inclusive já mandamos alguns laudos para a Federação Paranaense de Futebol (FPF), já está nas mãos deles, então a gente não vai desistir, vai tocar até o final, porque é uma economia muito grande para o Londrina em termos de custo”, destacou o presidente do Tubarão.

Hoje além da parte administrativa do Londrina que é sediada no estádio, o local também serve como a escolinha a partir dos nove anos e recebe jogos do sub-15 e sub-17 nas competições regionais. Existem também alguns atletas que moram no alojamento do clube, que fica no VGD. Recentemente, após sete anos, o Estádio Vitorino Gonçalves Dias voltou a receber jogos do time profissional no Campeonato Paranaense, na edição de 2016. Naquele momento, o time não tinha o Estádio do Café, que estava reformando o seu gramado e disputou algumas partidas em Arapongas. Naquela competição, o Alviceleste teve média de 2.305 torcedores por jogo. Se for contar apenas as cinco partidas no VGD, a média subiu para 2.621 pagantes. Que é maior que a média do Tubarão no Paranaense em 2018, quando levou 1.365 pagantes e do estadual de 2017, quando a média foi de 2.030 pagantes.

A média de público do Londrina no Paranaense de 2016, jogando no Estádio VGD é superior aos estaduais de 2017 e 2018, no Café. Foto: Robson Vilela/ Redação em Campo.

Para Canuto, a localização central do VGD e a história do estádio de ser um “caldeirão”, faz com que o local se torne mais familiar para o torcedor Alviceleste. “O Roberto Fonseca quando chegou aqui em Londrina, na Série B, a primeira coisa que ele falou foi ‘tínhamos que mandar os jogos do Londrina aqui, pois aqui é o termômetro, a pressão, a gente poderia ter uma evolução muito grande’, já o Cláudio Tencati não queria em hipótese nenhuma jogar aqui. Em termos de custo, o Estádio do Café é muito mais custoso para jogar lá, se conseguirmos a liberação aqui, logicamente é menos custo, mas acho que no VGD o torcedor vem mais, é mais aconchegante, muita gente vem a pé, nós temos a Rodoviária [que fica ao lado do estádio] que nos fornece a condição de estacionamento, nós temos regiões perto que dá para estacionar tranquilamente, então acredito que vamos voltar a jogar pelo menos por enquanto o Paranaense aqui, pois acho que o VGD se enquadra mais com o Londrina, nível de torcida que vai ter o Campeonato Paranaense, um campeonato que a gente sabe que não vai ter grandes atrações, então fazer jogos aqui seria melhor em termos de custo e em público melhor que no Estádio do Café”, afirmou Cláudio Canuto.

Fazendo uma comparação dos públicos de 2016 e comparando com os anos posteriores, jogar no VGD aumenta o público do Londrina. Estar perto do gramado, torcedores colado nos alambrados, pressão no adversário, fazem do Vitorino um lugar difícil de ganhar do Londrina, tanto que na campanha de 2016, foram quatro vitórias e dois empates, contando uma partida da Copa do Brasil. Por outro lado, é um estádio dos anos 50, onde os vestiários são pequenos, a chegada é pela rua, não se tem muita estrutura, principalmente para a imprensa, que ficam em cabines estreitas.

Para a realidade de 2018, o Londrina poderá contar com os seus dois estádios, podendo escolher o local dependendo do adversário e da estimativa de público para o confronto. Com o calendário do Paranaense, Atlético-PR e Paraná viram visitar o Tubarão e o local da partida pode ser alterado. Toledo, FC Cascavel e Foz do Iguaçu serão os outros adversários a vir ao norte paranaense. “Time da capital não querem jogar aqui [no VGD], o Atlético-PR quando jogamos aqui em 2016, eles não queriam em hipótese alguma jogar aqui, tanto que tivemos muitas dificuldades, depende muito do que a Polícia vai liberar, se liberar para uma quantidade suficiente de público, ano passado conseguimos uma liberação dos bombeiros de 8.072, mas a Polícia não liberou. Para este ano, vamos buscar liberar para o mesmo público, vamos tentar com a Polícia e com as adequações que os bombeiros pediram, vamos tentar liberar, se liberarmos para esse número de oito mil pessoas, acho que é suficiente para o Paranaense”, enfatizou o presidente do Londrina.

O Londrina fez duas partidas contra o Atlético-PR no VGD em 2016, uma pela primeira fase e outra pelas quartas-de-final do Paranaense, dois empates por 1 a 1. Foto: Robson Vilela/ Redação em Campo.

Em 2016, o VGD estava liberado para cinco mil pessoas, se conseguir a liberação para oito mil, será como disse o presidente, um número suficiente para o Londrina disputar o estadual. Em caso de um público maior ou chegar nas finais da competição, terá o Estádio do Café, que tem capacidade para até 27 mil torcedores.

O Londrina também pensa no futuro, tendo clubes da Série B como Paysandu e Atlético Goianiense, que disputaram jogos no Estádio da Curuzu e Estádio Antônio Accioly, respectivamente, a diretoria do Tubarão têm projetos para uma expansão do Estádio Vitorino Gonçalves Dias, mas pelo estádio ser uma concessão da prefeitura ao clube, precisaria entender o prazo de concessão para que os parceiros aceitem investir no local. “Estamos em busca de parceiros neste sentido, já trouxemos um pessoal que é especializado em aumentar e fazer uma quantidade maior de arquibancadas, a ideia é fazer ali onde fica a parte do restaurante [onde fica os vestiários], construir mais três mil lugares, aí com três mil lugares a mais se adequaria na capacidade mínima que a Série B pede. Agente vai trabalhando, o VGD é a casa do Londrina, voltamos e estamos aqui e a ideia é sempre melhorar este local, para que o Londrina possa mandar seus jogos aqui, inclusive pelo Campeonato Brasileiro, que quem vem jogar sente muito mais a pressão do torcedor”, finalizou Cláudio Canuto.

É preciso colocar no papel o custo benefício do VGD para o Londrina dentro e fora de campo. Se o clube fosse jogar ali, para onde iria a escolinha e as categorias abaixo do sub-17, valeria a pena investir valores para ter o estádio por apenas quatro meses? Do lado da diretoria do Tubarão, sempre existiu a vontade de mandar mais jogos do clube no Estádio Vitorino Gonçalves Dias, por outro lado, não é a mesma visão da gestora do futebol, SM Sports. O técnico Alemão jogou muito ali no VGD e diz que para treinar o clube, tem que saber do que o torcedor do Alviceleste gosta e para eles, o VGD sempre será a casa do Londrina.

Financeiramente, o país não vive um bom momento, se fosse em outra realidade, seria um dos que defenderiam o Londrina jogar na sua casa e deixar apenas os jogos ‘grandes’ para o Café, mas com falta de investidores no futebol e a constante ameaça do gestor do Londrina abandonar o clube, por razões financeiras, acredito que investir um dinheiro já escasso no VGD para quatro meses, não vale a pena, mesmo que os custos diminuam em relação ao Estádio do Café. O Londrina tem uma diretoria competente, que irá saber cuidar e encaminhar o futuro do Tubarão para a temporada 2019, seja ela iniciando no Café ou no VGD.

Foto: Robson Vilela/ Redação em Campo 

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Jornalista, formado na Unopar em 2015. Nasci e moro em Londrina. Apaixonado por esportes. Gosto de praticar aquele futebolzinho de final de semana. Futebol não é apenas um esporte, mas sim uma forma de viver.

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