Temporada sem Taça FPF: quem perde é o nosso futebol

O Campeonato Brasileiro da Série D foi duro com o futebol paranaense. Entre as equipes do estado, apenas o Maringá FC passou da primeira fase. No ano passado, o time da Cidade-Canção amargava a disputa da Segundona Paranaense, e mesmo assim conseguiu um lugar na ‘D’. Quem acompanha sabe: o tricolor foi o campeão da Taça FPF de 2017. Algo semelhante aconteceu com o Operário Ferroviário no ano anterior. Rebaixado para a Segundona Paranaense no começo de 2016, o Fantasma deu a volta por cima no segundo semestre ao ser campeão invicto da Taça FPF. E foi além: no ano passado, faturou o título da Quarta Divisão Nacional para abrilhantar ainda mais o momento histórico que vive.

Pelo segundo ano consecutivo, os classificados para a Série D pelo estadual caíram cedo. O premiado foi mesmo quem fez bonito no sub-23. Mas em 2019 essa história vai mudar. Na próxima Série D, só existirão vagas para os classificados via estadual. Isso porque a Federação Paranaense de Futebol cancelou  a Taça FPF por baixo número de inscritos. Quem comemorou a decisão foi o Cianorte, herdeiro da vaga por ter feito, no Paranaense, a terceira melhor campanha entre os clubes sem divisão nacional. No entanto, para os demais clubes, isso tende a ser catastrófico.

O desinteresse dos times é preocupante. A conquista de um calendário nacional é o único caminho para que um clube almeje a estabilidade. E limitar as vagas apenas ao Campeonato Paranaense é um tanto quanto injusto. Quem disse que a Segundona Paranaense não tem bons valores? O segundo nível do estado tem alguns projetos competentes e capazes de bater de frente com quem joga a primeira divisão. De certa forma, o cancelamento da Taça FPF deve dificultar o desenvolvimento das equipes da Segundona. Com uma opção a menos no calendário, o futebol do Paraná como um todo corre o risco de estagnar.

Mas as desvantagens não param por aí. O Paranaense é dividido em dois campeonatos de tiro curto. Quem vai mal na primeira fase está incumbido de ir muito bem no segundo turno caso queira conquistar algo. Premia-se, portanto, a regularidade. Mas é incoerente cobrar regularidade de times que passam praticamente o ano todo parados. Por outro lado, a Taça FPF tem uma longa primeira fase antes do mata-mata. Aí não tem desculpa: as equipes têm tempo suficiente para corrigir eventuais erros e buscar um desempenho melhor nas fases seguintes. Além disso, quem fica com a vaga é o campeão, o melhor, o mais estruturado. O mais preparado.

Para os times que figuram longe do protagonismo nacional, a Copa Estadual é sinônimo de esperança. Sem a Taça FPF, a história do Operário não teria um final feliz em curto prazo e o futebol em Maringá estaria parado, aguardando o torneio nacional de 2019. Para algumas equipes, o recomeço passa a ser um sonho ainda mais distante.

Foto: Rodrigo Araújo/Maringá FC Oficial

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Estudante de Engenharia, fanático por futebol. Encontro nos textos uma forma de desenvolver novas aptidões e acompanhar de perto os bastidores do futebol.

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