Paranaense Priscila Selau dribla dificuldades para jogar futebol

No Brasil, para meninas que gostam de futebol começarem a jogar bola, elas tem que passar por inúmeras dificuldades. Com Priscila Back Selau, meio campista do Foz Cataratas/Coritiba por quatro anos, não foi diferente.

Priscila começou a treinar com meninos, aos sete anos de idade, sendo a única menina no meio deles. Um cenário comum na vida de jogadoras que hoje estão em times que disputam a primeira divisão do campeonato nacional feminino.

Com 18 anos, ela mudou de cidade para dar um passo a mais no sonho de ser jogadora. “Eu sempre jogava futsal pela minha cidade, Céu Azul, jogava campeonato colegiais, juventude ou da região. Um dia minha mãe me falou que eu iria para São Paulo fazer um teste no América de São Manuel. Fui para lá, fiquei uma semana fazendo teste, e não voltei mais para casa. Fiquei três anos jogando lá”, relembra.

Na metade da temporada de 2013, voltou para o estado do Paraná, para jogar no Foz Cataratas, onde conquistou o Campeonato Paranaense em 2014 e disputou os Brasileiros de 2014, 2015, 2016 e 2017, e também as Copa do Brasil de 2014, 2015 e 2016. Em campeonatos nacionais, marcou oito gols.

Dificuldades

Priscila vê o futebol feminino desvalorizado no Brasil, com a falta de apoio como o principal empecilho para a categoria crescer. “O futebol feminino sempre foi e sempre vai ser desvalorizado. Pelo menos aqui no Brasil. Não temos tanto apoio nem tanta mídia. Já passei meses sem receber, porque não tinha patrocínio. Até hoje, se quiser assistir a seleção feminina, tem que assistir pela internet, porque não passa em canal nenhum.”

E com poucas esperanças de que o cenário mude. “Dizem que vai mudar, mas acho meio difícil. Existe muito preconceito também, machismo. Dizem que mulher não pode jogar futebol, mas lugar de mulher é onde ela quiser.”

Experiência internacional

Em 2016, o Foz Cataratas disputou a Libertadores Feminina. Priscila fez parte do elenco e foi titular do time que ficou com o terceiro lugar. Mas foi somente m 2017, na Libertadores de Futsal, que ela teve uma experiência internacional. Chamada para jogar no Sport Colonial, do Paraguai, ela e as companheiras de time conseguiram o vice campeonato, perdendo na final para a Unochapecó, do Brasil. A competição foi disputada na casa do Colonial, no Paraguai, na cidade de Luque, o que ajudou.

“Foi a melhor coisa para mim, não que os times aqui no Brasil não tenha sido bom, mas lá foi demais. Ao aceitar a proposta de jogar no Sport Colonial, não imaginava que a Libertadores seria tão vista, tão falada como foi, pelo para mim. Muita gente lá do Paraguai me mandam mensagem me parabenizando. E, para mim, receber esse carinho, essas mensagens de apoio é muito importante.”, finaliza.

Foto: Christian Rizzi/Foz Cataratas Oficial

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Boas festas!!

Estudante de jornalismo. Apaixonada por futebol, principalmente o feminino. Também apaixonada por motovelocidade e rugby. Torcedora do Arsenal Women e da Inter de Milão.

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