18 de October de 2017 9:59:07

O dia que o Estádio do Café ficou pequeno

Estádio do Café

O dia 15 de fevereiro de 1978 não entrou para história apenas para o Londrina Esporte Clube, entrou para a história de uma cidade, que na época tinha 43 anos e um pouco menos de 300 mil habitantes. População que ainda estava afetada pela devastadora “geada negra” de 1975, que assolou os pés de cafés de toda a região, que era o principal cultivo na época. O Londrina participava pela segunda vez do Campeonato Brasileiro da Série A, na ocasião ainda se disputava o final da competição do ano anterior, 1977. Após o chamado “pacto de Goiânia”, no qual o LEC precisava de duas vitórias e as conseguiu, mesmo sem o apoio de dirigentes, havia se classificado para um grupo, que hoje seria chamado de o grupo da morte, junto com Caxias, Flamengo, Santos, Corinthians e Vasco da Gama. Vindos da repescagem, LEC e Caxias eram cotados como os “sacos de pancada” do grupo. Então o Tubarão decidiu surpreender e abocanhar seus adversários começando pelo clube gaúcho, depois Flamengo e Santos até chegar ao dia 15 de fevereiro.

A região Norte do Paraná tem muita influência paulista, se tornando um local com muitos torcedores dos clubes de São Paulo. A expectativa para o confronto entre Londrina e Corinthians não era apenas por se tratar de um clube do estado vizinho, mas sim pela ótima campanha que o Alviceleste começara a fazer dentro de seu grupo, com três vitórias em três partidas. Se esperava um Estádio do Café com bom público, porém não o melhor dos seus menos de dois anos de existência. Neste dia foi registrado o maior público do Estádio Municipal Jacy Scaff, o Estádio do Café, 54.168 pagantes, mas para quem viu, era claro que tinha mais pessoas. A renda desta partida foi recorde não só da praça esportiva, como de todo Paraná na época, de Cr$ 2.161.900,00.

Torcidas de Londrina e Corinthians abarrotaram as arquibancadas do Estádio do Café. Foto: Arquivo Folha de Londrina.

Torcedor do Londrina desde os primeiros anos de vida, Marcos Souza da Silva, hoje com 49 anos, na época com 10, lembrou de como estavam as arquibancadas do Estádio do Café naquela noite de 15 de fevereiro de 1978. “As arquibancadas estavam totalmente cheias, de um jeito que muitos torcedores estavam sentados nos morros laterais e também nas torres de iluminação”, relembrou Marcos. O autor do gol que deu a vitória ao Tubarão naquela noite, Carlos Alberto Garcia também comentou como viu as arquibancadas. “Estava lotado [Estádio do Café], uma noite inesquecível, não cabia ninguém mais em nenhum lugar, uma loucura”, definiu o ídolo da torcida do Londrina.

O grande momento da partida aconteceu aos 6 minutos da primeira etapa, quando Dirceu cobrou falta da esquerda para dentro da área e Garcia conta o que aconteceu. “Depois da cobrança, os zagueiros Moisés e Vladimir falharam e eu virei e chutei forte no canto esquerdo do goleiro Jairo, um golaço! Depois fiquei quase uns cinco minutos chorando [risos]”, confessou Garcia, que iniciou sua carreira no Timão e não havia sido aproveitado no clube paulista. Souza também contou como viu o lance. “O gol do Carlos Alberto [Garcia] foi um momento único de um garoto pela primeira vez num estádio com a família de uma cidade pequena! O gol do LEC veio de uma cruzamento de uma falta aonde a bola foi lançada para dentro da área e encontrou Garcia, o homem dos beijinhos pra galera! O estádio explodiu de uma forma que até hoje quando fecho os meus olhos, ouço os gritos da galera”, enfatizou o torcedor.

Marcos Souza ainda lembra do clima do estádio. “O clima dentro do estádio era de muita euforia e confiança pela campanha avassaladora! Naquela época todos respeitavam o outro, assistiam ao jogo sentados e só levantavam quando tinha ataques e contra-ataques também. O grito do gol até hoje tenho na minha memória e Carlos Alberto correndo como um louco na direção da torcida. E quando acabou, a impressão que dava era que a torcida queria invadir o gramado e depois a festa nas ruas, bandeiras tremulando nos carros e o povo pulando de alegria nas calçadas e na avenida do estádio”, concluiu o torcedor do Tubarão.

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Londrina vence segun

Jornalista, formado na Unopar em 2015. Nasci e moro em Londrina. Apaixonado por esportes. Gosto de praticar aquele futebolzinho de final de semana. Futebol não é apenas um esporte, mas sim uma forma de viver.

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