17 de December de 2017 3:50:58

Lucas Leme comenta sobre o recomeço da Chapecoense

O preparador físico Lucas Leme, de 34 anos, trabalhou no Londrina Esporte Clube de 2012 à 2016, onde a equipe do Tubarão disputou de apenas o Campeonato Paranaense até um Campeonato Brasileiro da Série B. No início de 2017, Lucas foi convidado pelo preparador físico Marquinhos, que já o conhecia para ajudar na reconstrução da Chapecoense, após o trágico acidente que vitimou grande parte dos atletas, comissão técnica e diretoria, além de profissionais da imprensa no dia 29 de novembro de 2016.

Redação em Campo conversou com Lucas Leme sobre o recomeço da Chape, sua saída do Londrina, história dos atletas com quem já trabalhou e estavam no voo da companhia aérea LaMia que não chegou ao seu destino final.

Redação em Campo – Como está a cidade de Chapecó, está voltando as coisas ao normal?

Lucas Leme – Tudo está voltando ao normal, como falamos, eles nunca serão substituíveis, nunca vão ser esquecidos. Sempre tem um memorial, então acho importante isso você lembrar dos seus heróis que se foram, só que devagarzinho as coisas vão entrando no eixo, os assuntos começam a mudar, até porque já tem futebol de volta, tem os jogos e tudo mais.

Então as coisas estão voltando ao normal, não podemos dizer ao normal, pois o que aconteceu não foi normal, mas as coisas estão voltando ao eixo, porque sempre vai ter essa memória, é uma cidade pequena, que gostava dos jogadores e estava sempre próxima, então essa memória será eterna, sempre vai ter.

RC – Como está está sua nova caminhada, onde saiu do Londrina que tem uma trajetória muito parecida com o da Chapecoense?

Acho que o Londrina capacitou a gente para chegar lá, eu que aprendi e vivenciei no Londrina, talvez se não tivesse passado por aqui, não teria chegado lá,  é uma escola muito boa. Acho que pode marcar na nossa trajetória é que o Londrina teve uma ascensão muito parecida com a Chapecoense, na verdade se tivéssemos subido em 2016, teríamos uma ascensão até mais rápida que eles, então são coisas que você pega para pensar, tipo estou indo para um lugar que teve uma trajetória muito parecida com o Londrina, isso faz você se sentir em casa, você se sente capaz de fazer um bom trabalho, pois já fizemos aqui [no Londrina], vai existir uma gratidão eterna ao Londrina, pelo que vivi aqui e se eu cheguei lá, muito devo e ainda vou conseguir pelo Londrina.

Lucas Leme em um treino da Chapecoense em 2017. Foto: Arquivo Pessoal.

RC – O pessoal de Chapecó te pergunta sobre o Londrina?

Perguntam, por mais que é longe por questões de quilometragem, o futebol se aproxima sempre, a ascensão do Londrina tem sido grande, a organização da SM Sports, então todo mundo pergunta, a direção pergunta, sempre estamos falando do Londrina, no ano passado faltou cinco pontos, faltou pouquinho, quase subiu.

Quando cheguei lá, eles já comentavam do Londrina pelo Danilo, o pessoal fala que todo pós-jogo, o Danilo comentava do Londrina na academia, nos treinos e o pessoal brincava: “Pô! Danilo, você só fala do Londrina!”. A última história que me contaram dele, em que um jogo do Londrina no ano passado, o Tubarão empatou em casa e ele não conseguia treinar falando: “O Londrina tinha que vencer aquele jogo, ele vai subir!”. Então é algo muito próximo e estou vendo muita semelhanças entre Chapecoense e Londrina.

RC – A Chapecoense vai disputar ao longo do ano, sete competições. Como é ter um calendário assim, principalmente na sua área de preparação física?

É um desafio grande, mas é um desafio que podemos realizar com qualidade, tanto que a comissão técnica foi montada com esse intuito, os profissionais que foram contratados, foram com esse objetivo, são capacitados para levar a Chapecoense no melhor rendimento possível, sabemos que algumas vezes vamos ter que se dividir, como já fizemos, um grupo foi para o Campeonato Catarienense e outro para a disputa da Copa da Primeira Liga.

Esses sete campeonatos que vamos disputar, vão nos dar um “know-how” para vivenciarmos outras coisas depois, então acho que a comissão técnica que está lá não está para aprender e sim para agregar ao clube. Vamos ter dificuldades, as lesões vão aparecer porque não tem como, é humanamente impossível, já jogamos em 10 dias, quatro jogos, isso é praticamente impossível, mas a direção tem visto com bons olhos o que podemos fazer lá.

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<p>Jornalista, formado na Unopar em 2015. Nasci e moro em Londrina. Apaixonado por esportes. Gosto de praticar aquele futebolzinho de final de semana. Futebol não é apenas um esporte, mas sim uma forma de viver.</p>

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