Londrina completa 62 anos marcando a vida de muitos jogadores

Neste dia 5 de abril, o Londrina Esporte Clube está completando 62 anos de história, onde passou a seus torcedores momentos de alegria e tristeza, dificuldades e superação, rebaixamentos e acessos. Fundado em 1956, o carinhosamente conhecido Tubarão, que já foi Caçula Gigante traz em sua história quatro títulos paranaenses, um título da Taça de Prata, hoje conhecida como o Campeonato Brasileiro da Série B e um título da Copa da Primeira Liga. Além de deixar como patrimônio os seus torcedores, o Alviceleste marcou e ainda marca a carreira de seis jogadores que vestiram e ainda vestem a camisa do Londrina.

Onde tudo começou, a primeira grande conquista do Caçula Gigante

Quando se fala na história do Londrina, um nome se destaca no quesito de gols marcados com a camisa azul e branca, o ex-atacante Antero Bombassaro, conhecido como Gauchinho, hoje com 80 anos. Ele é até hoje e dificilmente será ultrapassado, o maior artilheiro da história do Tubarão com 303 gols marcados nos 12 anos que vestiu a farda Alviceleste.

Sua grande conquista pelo ainda Londrina Futebol e Regatas foi o título de Campeonato Paranaense de 1962. Quem acompanhou aquela companha fala que foi a conquista mais difícil da história do clube, por tudo que aconteceu. O Caçula Gigante só foi campeão do Norte, que fez ele disputar o campeonato, após quatro partidas contra o Apucarana. Após passar pelo adversário, um triangular decidiria o campeão. Com um empate contra a Cambaraense e três vitórias, duas sobre o Coritiba, o Alviceleste teve sua primeira grande conquista. Gauchinho lembra muito bem da sua passagem pelo clube. “Os 12 anos que joguei pelo Londrina, foi uma passagem marcante e fui várias vezes artilheiro. Marquei mais de 300 gols pelo Londrina e fui campeão Paranaense de 1962. Tive uma passagem pelo Londrina sempre como titular”, afirmou Gauchinho.

Comemoração do titulo do Campeonato Paranaense de 1962, em Curitiba. Luis Santos, Gauchinho, Juvenal e Paulo Vecchio. Foto: Acervo Marcelo Dieguez.

O Brasil inteiro conheceu o famoso Tubarão do norte do Paraná

Sem ter muito destaque no final dos anos 60, fusão e troca de nome no início dos anos 70, o Londrina só voltou a ter um grande destaque na campanha do ano de 1977 e 78. Com um grande esforço no ano anterior, com o Estádio do Café construído para fazer o Londrina grande para disputar o Campeonato Brasileiro, o Tubarão entrou no Brasileirão de 77 um pouco desacreditado. Após surpreender a todos e chegar as semifinais daquela competição, parando no famoso Atlético Mineiro de Reinaldo, o Alviceleste ficou muito conhecido no cenário nacional.

Um dos grandes destaques daquela campanha, o meio-campo Carlos Alberto Garcia lembra da importância daquela campanha para o Londrina e para ele. “Foi fundamental aquela campanha de 77 para consolidar o nome do Londrina para o Brasil inteiro. O Londrina se destacou, muito mais que o Coritiba e o Atlético Paranaense, a vantagem do Londrina por não ser favorito naquela época, todos os brasileiros torciam pelo Londrina chegar a final e até para ser campeão brasileiro”, e complementou um dos maiores ídolos da história do Londrina. “Para nós jogadores, foi muito importante. Eu mesmo fui contratado pelo Vasco da Gama, o Internacional havia tentado minha contratação, enfim, todos os jogadores se valorizaram. Eu sempre agradeço a Deus por ter feito parte daquela equipe”, enfatizou o eterno camisa 8 do Londrina.

Estádio do Café

O momento que o chute de Carlos Alberto Garcia balança as redes do goleiro Jairo, do Corinthians. Foto: Arquivo/Folha de Londrina.

A primeira taça a nível nacional com direito a beijo no caneco

Após mudanças na primeira divisão nacional, o Londrina disputou a primeira edição da segunda divisão brasileira, naquela época conhecida como a “Taça de Prata”, em 1980. Batendo de frente com grandes adversários, o Tubarão se classificou com um bela campanha para as semifinais. Nela o Alviceleste derrotou o Botafogo (SP) nas duas partidas e encarou o CSA (AL), na final da competição. Com um empate na ida por 1 a 1, em Maceió, o Londrina passou por cima dos adversários no Estádio do Café, com um sonoro 4 a 0, tendo por duas vezes a marca do artilheiro Paulinho, conhecido como O Canhão de Pinhal.

Sobre aquela conquista, Paulinho diz que foi importantíssimo para marcar sua carreira. “Para mim marcou muito, principalmente porque fiz o terceiro gol, eu subi na taça e algum tempo depois o Santos me comprou. Aquela atitude que tive de subir na taça, aquele momento foi uma coisa espontânea, não tinha programado nada, então esse título foi o ápice da minha carreira”, relembrou o camisa 9 daquela conquista. “O último título do Londrina havia sido em 1962, depois foi a Taça de Prata, então todo mundo valorizou, a maioria dos jogadores após o campeonato foi vendido, foi o ápice da carreira de quase todos”, comentou o Canhão de Pinhal.

Quando fala do Londrina e da cidade, Paulinho se emociona muito e as lágrimas lembra o que ficou marcado na sua memória. “A cidade me marcou muito, os meus dois filhos nasceram em Londrina, acha que vou esquecer Londrina? Não tem como!”, com a voz embargada de emoção e complementa. “Não tem como tirar Londrina da minha história, da história verdadeira, é amor, é paixão, sinto tudo isso por Londrina e pelo clube”, finalizou Paulinho.

Time que entrou em campo na final da Taça de Prata de 1980. Em pé: Toninho, Gilberto, Jorge, Zé Antônio, Fernando e Vanderlei Paiva. Agachados: Venturini (massagista), Zé Dias, Lívio, Paulinho, Everton e Nivaldo. Foto: Arquivo Folha de Londrina.

Depois de 19 anos, Garcia faz o gol do título estadual de 1981

Antes de se transferir para o Santos, Paulinho ainda fez dupla com Carlos Alberto Garcia na conquista do Campeonato Paranaense de 1981. Com um campeonato extremamente longo, a final entre Londrina e Grêmio Maringá colocou a maior rivalidade do interior do Paraná frente a frente. Com duas vitórias, o Tubarão voltou a ser campeão após 19 anos. Em Maringá, 3 a 2 e no Estádio do Café, 2 a 1. Paulinho abriu o placar e Carlos Alberto Garcia, que havia entrado durante a partida, fez o gol na sua principal característica, uma cabeçada fatal.

Garcia toca em um assusto muito discutido hoje em dia, mas que naquela época era muito importante. “Título estadual sempre foi importante e na década de 70 e 80 era muito mais importante ainda. Tive oportunidades de ser campeão por outros times, mas pelo Londrina foi muito maravilhoso, faz parte da história e para o Londrina também foi muito importante”, afirmou o “Bem Amado”, como era conhecido pelos torcedores.

Até hoje muito celebrado pelos torcedores, onde muitos o elegem como o maior ídolo que vestiu a camisa do Londrina, Garcia se diz um apaixonado pelo Londrina. “O Londrina Esporte Clube é minha paixão, é o clube do meu coração, cheguei em Londrina em 75 e fui muito apoiado pela torcida. O Londrina foi tudo para mim, me sinto mais valorizado, mais emocionado, com muito mais paixão e amor por ter jogado no Londrina do que ter participado no Corinthians e no Vasco. Como sou torcedor até hoje, o amor aumentou muito mais”, enfatizou Carlos Alberto Garcia.

Jogadores do Londrina comemorando o gol feito por Carlos Alberto Garcia, diante do Grêmio Maringá, no Estádio do Café. Foto: José Eugênio/ Revista Placar.

Com um time guerreiro e três finais para garantir o terceiro título estadual

Em 1992, com um time modesto mesclando juventude com experiência, o Tubarão tirou o Atlético Paranaense na semifinal e foi disputar a “Final Caipira” contra o União Bandeirante. Com dois empates, por 0 a 0 e 2 a 2, sendo está última com gols do zagueiro Márcio Alcântara no último lance, o título ficou para uma terceira partida, também no Estádio do Café. Com o gol de João Neves, o Alviceleste levantou a taça do estadual pela terceira vez.

Sobre o título, o autor do gol que levou a terceira e decisiva partida, Márcio Alcântara disse que foi como uma redenção ao clube que o revelou. “Estava voltando a Londrina depois de 10 anos fora e numa expectativa pois o Londrina havia sido campeão em 81, então fazia tempo que não chegava. Queria mostrar ao torcedor do Londrina que estava voltando ao Londrina por uma opção e não por estar no final de carreira”, lembrou Márcio.

Para Márcio, o Londrina foi onde tudo começou e por isso leva o Tubarão no coração. “O Londrina foi onde tudo começou, tudo que tenho na vida, tudo que conquistei, foi no início, na base, com a orientação que tive, na época da escolinha, com pessoas importantes na minha vida e que me encaminharam para o futebol. Até hoje a paixão, meu filho, que acima de tudo é Tubarão, isso faz com que tenho um carinho muito maior do que propriamente o torcedor comum. Você jogar pelo time, você torcer pelo time e sofrer”, fala Márcio Alcântara.

Momento em que Márcio Alcântara olha a bola no fundo da rede e vai provocar o banco do União Bandeirante. Foto: J. Pedro/ Folha de Londrina.

Após 22 anos, a redenção do Londrina dentro do Paraná

Depois de muitos problemas extracampo e que influenciaram dentro das quatro linhas no Londrina, levando a equipe praticamente ao fundo do poço, o ano de 2014 foi a redenção para o clube. Com uma campanha irregular e que se transformou no título. Uma vitória épica contra o Atlético Paranaense nas semifinais e novamente a rivalidade entre Londrina e Maringá numa final, desta vez contra o Maringá FC. Com dois empates, 2 a 2 em Londrina e 1 a 1 em Maringá, a decisão foi para a marca da cal. Nela o goleiro Vitor fez um defesa, viu de perto a bola de Cristiano ir para fora e os torcedores explodiram de emoção com a conquista.

Para Vitor, aquele título valeu muito para o clube, mas principalmente para ele. “Foi um sonho realizado, tinha um grande sonho de ser campeão, como fui com o Londrina, da forma que foi, chegamos meio desacreditados ali, aos poucos as coisas foram acontecendo, Deus foi nos abençoando e saímos de um ponto de desacreditados para campeão do estado”, afirmou “São Vitor”, como é conhecido pelos torcedores.

Tendo o grande destaque da carreira no Londrina, Vitor comentou que se realizou com a camisa 1 do Tubarão. “No Londrina aconteceu tudo, a maioria dos meus sonhos foram realizados no futebol e tenho um carinho muito grande pelo clube. Fiz questão que minha filha nascesse em Londrina, para deixar registrado na história de minha família essa passagem por Londrina e hoje, eu e minha família vemos como o momento mais marcante das nossas vidas”, enfatizou o goleiro.

O goleiro Vitor fez grandes atuações vestindo a camisa do Londrina, sendo campeão Paranaense em 2014. Foto: Robson Vilela/ Redação em Campo.

Um conquista nacional depois de 37 anos

Depois de perder a chance de voltar a ser campeão nacional em 2015, na final da Série C, o Londrina ergueu a taça da Copa da Primeira Liga em 2017. Passando por grandes clubes do futebol brasileiro e terminando a competição invicto, com quatro vitórias e dois empates, o Tubarão derrotou nas penalidades o Atlético Mineiro no Estádio do Café. O goleiro César, que fazia o seu primeiro ano como profissional, pegou três pênaltis na semifinal e mais dois na grande decisão, levando o Alviceleste ao título.

O arqueiro que ainda está no Tubarão disse que essa conquista foi mais especial por destacar a sua carreira. “De extrema importância, pois foi aonde eu consegui um destaque especial na minha carreira e também contribui para a grande conquista do Londrina, sem sombra de duvidas, um campeonato que foi crucial para minha vida profissional”, elencou o defensor da meta Alviceleste. Revelado pelo Londrina, César diz estar em casa com a camisa do LEC. “O Londrina representa a minha casa, é aonde eu me sinto bem, feliz e confortável. É sem dúvidas um clube grande e que vai lutar pra conquistar todos os campeonatos que disputa”, finalizou o goleiro do Londrina.

O goleiro César defendendo uma das cobranças contra o Cruzeiro na semifinal da Copa da Primeira Liga. Foto: Gustavo Oliveira/ Londrina EC Oficial.

Foto: Gustavo Oliveira/ Londrina EC Oficial.

 

 

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Jornalista, formado na Unopar em 2015. Nasci e moro em Londrina. Apaixonado por esportes. Gosto de praticar aquele futebolzinho de final de semana. Futebol não é apenas um esporte, mas sim uma forma de viver.

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