Força, Bianca! Quando a essência do futebol é jogada para escanteio

A campanha #Deixaelatrabalhar, que busca promover o fim de práticas machistas no jornalismo esportivo, tem recebido grande destaque recente. No último sábado (31), cenas do vídeo de lançamento da ação foram veiculadas no confronto entre Corinthians x Palmeiras, válido pela final do Campeonato Paulista. Este texto poderia ser uma homenagem ao sucesso da iniciativa, que chegou a ser veiculada também em âmbito internacional. Mas parece que algumas pessoas não vivem neste mundo. E isso está mais perto do que você imagina.

Na tarde de domingo (1), Iraty e Operário fizeram um verdadeiro espetáculo em campo. O Fantasma encontrou muitas dificuldades e quase sofreu empate de um bem menos estruturado Azulão. Mesmo assim, o jogo ficou em segundo plano. Ao fim da partida, durante a coletiva de imprensa com o técnico Gerson Gusmão, alguns torcedores do Iraty começaram a ofender um grupo de jornalistas que falava com o treinador. As agressões foram intensificadas quando a assessora de imprensa do Operário, Bianca Machado, foi avistada.

Quem conhece, sabe que a Bianca é uma competentíssima jornalista. Sempre muito receptiva e solidária, faz o que pode para cumprir com todas as demandas que os veículos de comunicação solicitam ao clube. E mesmo sendo alvo de ignorantes, foi novamente competente ao continuar exercendo seu trabalho de forma séria e profissional. Mas a resiliência da jornalista não exclui a necessidade do debate. É preciso falar sobre o assunto.

A luta do #Deixaelatrabalhar é contra algo intrínseco à sociedade. As mulheres sofrem discriminação em praticamente todos os ambientes. Quando envolve esporte, e principalmente o futebol, o problema toma uma dimensão descomunal. Algumas pessoas se recusam a ouvir opiniões femininas antes mesmo de constatar o conhecimento e a capacidade das profissionais. Isso é preconceito. E a própria legislação afirma que o preconceito é crime.

Por conta disso, foram criados vários motivos irracionais para servir como desculpa para práticas intolerantes. Uma das principais falas remete à falta de influência das mulheres em diferentes áreas de atuação. Mas isso nunca foi uma verdade. O próprio esporte brasileiro, que abrange uma paixão diferenciada em toda a nação, mostra uma realidade completamente oposta. Diversas mulheres estão se firmando como protagonistas em nível mundial. Expoentes de destaque da atualidade estão no judô, com Rafaela Silva e Sarah Menezes, e no vôlei, com todo o elenco vitorioso da Seleção Brasileira Feminina de Vôlei.

No episódio de domingo, pode-se admitir que houve uma predisposição ao fato por conta da rivalidade entre os clubes. Contudo, a agressão verbal foi direcionada pessoalmente à assessora, que ao ter seu nome divulgado para o prosseguimento das ofensas, passou a ser alvo específico dos infratores. Portanto, a rivalidade em si está longe de ser a causa do problema. Diferentemente do lamentável acontecido, muitas vezes as mulheres representam emissoras ou veículos de comunicação. Elas literalmente sofrem preconceito por simplesmente estar ali.

Ações como a de domingo precisam ser continuamente combatidas. Que os responsáveis sejam punidos, e que o futebol volte a ser símbolo de uma luta contra a intolerância, como fez em seus primeiros anos. Dentro de campo são onze contra onze, em igualdade. E que essa igualdade sempre esteja presente também na cabine, na arquibancada e em todos os lugares. A equipe do Redação em Campo se solidariza com Bianca Machado, assessora de imprensa do Operário Ferroviário, diante de todos os acontecimentos ao fim da partida entre Iraty e Operário.

 

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