De finalista a quase rebaixado: os erros capitais do Rio Branco no Estadual

Pode-se dizer que o Rio Branco foi do céu ao inferno no Campeonato Paranaense. Na primeira fase do torneio, o time do litoral alcançou um feito inimaginável por grande parte de sua torcida. Porém, na Taça Caio Júnior, os problemas começaram a aparecer, e o alvirrubro brigou contra o rebaixamento até a última rodada. Não dependeu nem de si próprio para escapar: quem realmente salvou o Leão da Estradinha foi o Prudentópolis, que conquistou uma improvável vitória diante do CE União na última rodada e desencadeou uma sensação de alívio em Paranaguá.

É verdade que o time parnanguara era um dos cotados para o rebaixamento. Contudo, após chegar a final da Taça Dionísio Filho, esperava-se que a equipe continuasse na briga por uma vaga em competições nacionais. Não foi isso que aconteceu. A crise que acompanha a Estradinha desde o fim da última década segue bastante visível. A chance de mudar o panorama ficou mesmo para a disputa da Taça FPF.

Mas como um campeonato histórico para o clube quase culminou em rebaixamento? O Redação em Campo te ajuda a entender isso.

Preparo tardio

Na elaboração do Guia do Paranaense de 2018, já alertávamos sobre o tempo curto de preparação que o elenco do Rio Branco dispunha. O time iniciou os treinamentos apenas na segunda semana de dezembro. Ao todo, o alvirrubro passou um mês confinado no CT Barcelos, em Curitiba. Muitos atletas não tiveram tempo hábil para retomar o condicionamento físico para o estadual.

Nas primeiras rodadas, isso não gerou um problema aparente. Contudo, na fase decisiva da Taça Dionísio Filho, o Leão da Estradinha esteve bastante desfalcado por lesões. Nos dois últimos jogos, três atletas precisaram passar pelo Departamento Médico. Para piorar, todos eram titulares. Sem poder contar com o zagueiro Victor Sousa, o lateral Thiaguinho e o atacante Rodrigo Jesus, o então técnico Maurílio foi obrigado a adaptar o esquema. E isso foi determinante para a derrota frente ao Coritiba na final do primeiro turno.

Relação com a torcida

Com mais de cem anos de história, o Rio Branco historicamente carrega multidões. Sem considerar os times da capital, o alvirrubro é um dos clubes do estado que mais leva torcedores aos seus jogos. Apesar disso, em 2018, as arquibancadas da Estradinha abrigaram uma festa menor que em outras temporadas. Tudo isso tem uma motivação: a diretoria não tem atendido as reivindicações da torcida.

A Camisa Vermelha e Branca, principal torcida organizada do time parnanguara, cobra a abertura do sócio-torcedor. Num cenário ideal, isso é bastante benéfico para um clube de futebol. Com mais dinheiro em caixa, o elenco pode contar com peças de maior qualidade, o estádio pode ser reformado e todos os setores do clube podem receber mais investimentos. As vantagens são visíveis, mas a diretoria do Rio Branco recusa adesões ao sócio-torcedor. Sendo assim, a torcida não tem poder para influenciar nas decisões da direção, e o clima de descontentamento permanece firme nas dependências do time litorâneo.

Departamento de comunicação

Em época de modernização do futebol, o Rio Branco parece seguir na direção oposta. Enquanto as outras equipes investem bastante em redes sociais e departamentos de comunicação, o alvirrubro deixa muito a desejar. O site do clube não é atualizado há exatos dois meses. Além disso, algumas partidas não tiveram os resultados divulgados em nenhuma página oficial do Leão da Estradinha.

Pode parecer pouco, mas isso gerou um problema grave durante a Taça Caio Júnior. Na primeira rodada da segunda fase, o Rio Branco foi derrotado em casa pelo Toledo. Após a partida, as redes sociais oficiais do time anunciaram a demissão do técnico Maurílio Silva. Em conversa com o Redação em Campo minutos após o episódio, o treinador afirmou que continuava no comando da equipe, e classificou o acontecimento como “irresponsável”.

Em pouco tempo, a ocorrência foi repercutida em todo o território nacional. O clube voltou atrás, precisou se retratar e Maurílio seguiu no cargo por mais uma partida. Mas o estrago já estava feito, e a crise nos bastidores tomou proporções ainda maiores.

Atrito entre diretoria e elenco

Com a classificação inédita para a final da Taça Dionísio Filho, tudo parecia um mar de rosas entre o elenco do Rio Branco. Em dois jogos, tudo mudou. A péssima campanha na segunda parte do torneio foi motivada por dinheiro. Ao todo, o plantel do alvirrubro ficou sem receber salários durante dois meses.

Os dias que antecederam a partida diante do Londrina podem ajudar o leitor a entender a dimensão do problema. O time viajaria para o Norte na terça-feira (20). O duelo era tudo ou nada para o Leão. Uma derrota podia significar o rebaixamento à Segundona Paranaense. Mesmo assim, num primeiro momento, os atletas se recusaram a viajar. Isso porquê as promessas de quitação das dívidas não foram cumpridas em sucessivas ocasiões.

O assunto da vez em Paranaguá também confirma o condição de atrito entre os jogadores e a diretoria. Leandro Ribeiro, o presidente do Rio Branco, protocolou uma ação no Ministério Público contra o lateral Thiaguinho. De acordo com o mandatário, o atleta foi acusado de manipulação de resultados durante a segunda fase do Paranaense. A alegação do elenco é de que a direção do clube está tentando desviar a atenção da falta de pagamento.

Resultados

Taça Dionísio Filho:

Cianorte 3 x 3 Rio Branco
Coritiba 1 x 1 Rio Branco
Rio Branco 2 x 2 Cascavel
Rio Branco 0 x 1 Foz do Iguaçu
Maringá 1 x 1 Rio Branco
Rio Branco 2 x 0 Paraná

Semifinal
Atlético-PR 0 (5) x (6) Rio Branco

Final
Coritiba 3 x 0 Rio Branco

Taça Caio Júnior:

Rio Branco 2 x 4 Toledo
CE União 4 x 0 Rio Branco
Atlético-PR 7 x 1 Rio Branco
Rio Branco 3 x 1 Prudentópolis
Londrina 4 x 1 Rio Branco

Futuro

O consenso na Estradinha é de que o Rio Branco precisa trabalhar muito para não sofrer do mesmo mal em 2019. Brigando para não cair no estadual há mais de cinco anos, o recomeço precisa vir acompanhado de uma classificação para um certame nacional. Portanto, o único alento de 2018 para o time parnanguara é a disputa da Taça FPF. Caso seja campeão do torneio sub-23, o time de Paranaguá estará classificado para a Série D do Campeonato Brasileiro pela primeira vez em sua história.

Foto: Rio Branco Oficial

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Estreando técnico,

Estudante de Engenharia, fanático por futebol. Encontro nos textos uma forma de desenvolver novas aptidões e acompanhar de perto os bastidores do futebol.

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