24 de July de 2017 11:24:23

Cláudio Tencati comemora seis anos à frente do Londrina

Se você gosta do futebol brasileiro, em algum momento dos últimos seis anos deve ter ouvido falar de Cláudio Aparecido Tencati, de 44 anos, que neste dia 21 de abril de 2017, completa seis anos comandando o Londrina Esporte Clube. Tencati assumiu o clube em 2011, quando o time estava na Segunda Divisão do Campeonato Paranaense levando o clube alviceleste ao Campeonato Brasileiro da Série B, em 2016.

O treinador tem bons números sob o comando do Tubarão, são 229 jogos, com 111 vitórias, 60 empates e 58 derrotas. Durante este período, Cláudio Tencati acumula um título do Campeonato Paranaense de 2014, um título da Segunda Divisão do Campeonato Paranaense de 2011, três títulos do interior (2013, 2015 e 2016), além de dois acessos em Campeonatos Brasileiros, em 2014 da Série D à Série C, e no ano seguinte, da Série C para a Série B.

O Redação em Campo conversou com Cláudio Tencati sobre a sua história comandando o Londrina.

Redação em Campo – O Londrina completou recentemente 61 anos de história, você chegou aos 6 anos, aproximadamente, Tencati faz parte de 10% da história do clube, como é isso para você?

Cláudio Tencati – Olha, estou contente, agradecendo à Deus, mas ao mesmo tempo muito feliz porque em um futebol que nós sabemos que na vida do treinador ela é muito sujeita a determinados resultados, então não tem vida útil no clube e estamos à frente há seis anos num trabalho, com resultado e da maneira que está sendo construído, acho que isso é fantástico. Então, nós estamos sendo um exemplo para outros clubes, para outros dirigentes que é possível sim ter planejamento no futebol e seguir à risca este planejamento.

RC – Quando você assumiu o Londrina, imaginava ficar tanto tempo à frente do clube, já que a profissão no Brasil é marcada por muita instabilidade?

Não, por três motivos que eu não imaginava permanecer tanto: Primeiro, o futebol, pois ele é muito exigente, tem esse dinamismo e ao mesmo tempo a cultura é se demitir o treinador quando o resultado não vem. Segundo, por até o próprio clube que é exigente, com torcida e imprensa. E terceiro, que o Sérgio [Malucelli, gestor do Londrina], tinha uma fama de que era um gestor, que conforme os resultados, se demitia o treinador, mas ele me mostrou uma outra face de gestor, então fico feliz por isso, porém, não imaginava pelas proporções do que é e do que imaginava que seria, mas realmente me surpreendeu, principalmente o comportamento do gestor Sérgio Malucelli, que foi firme em todos os momentos comigo.

RC – Quando você olha para trás, para o Cláudio Tencati de 2011, que diferenças vê em relação ao Tencati de 2017?

Não há dúvida, muito mais maduro, experiente, claro que são seis anos, muita coisa aconteceu até ganhei uma filha neste período, minha menininha de quatro anos, então a gente amadurece enquanto homem, ser humano ao mesmo tempo profissional, então saber lidar com imprensa, com jogadores, acho que um dos fatores que cresci muito no trabalho e graças à Deus esse amadurecimento é o trabalho com os atletas, então somos pressionados sim por resultado, mas a gente não procura criar dentro do interno nosso atrito com os jogadores, procuro administrar bem, claro que tem a cobrança com eles também, mas acho que essa é a grande virtude nossa, esse amadurecimento que na minha opinião foi fundamental até para que a gente mantivesse os resultados e obtivesse esse sucesso.

RC – Ano passando, durante a disputa da Série B, você teve um pequeno problema de stress no coração. O que mudou para você depois deste episódio?

É a gente vai amadurecendo a cada dia, se falarmos a gente para de aprender, não. Então a gente tem que continuar aprendendo, corrigindo os erros e uma das questões é para o lado pessoal, onde temos que criar artifícios para que possamos não prejudicar o corpo e até mesmo a vida. Então é como falamos, o futebol é uma profissão saudável, uma profissão maravilhosa, gostosa e que é prazerosa, então não podemos levar isso como uma situação que possa correr riscos. Então, diminui o stress, em qual sentido, pois as vezes tem pequenas coisas que você se incomoda, então é saber selecionar, deixa de lado aquelas pequenas coisas, concentra nas principais e procurar artifícios, onde procurei uma atividade física, estar mais com a família, também cuidar da alimentação, então acho que isso são fatores que os treinadores tem que ter em sua consciência. Até hoje dois casos foram mais evidentes, o Ricardo Gomes que teve um problema gravíssimo e graças à Deus sobreviveu, mas ficou com sequelas e o próprio Muricy Ramalho, que teve de se afastar, então são exemplos que entendo que não podemos seguir para este caminho, para mim foi um susto também, um puxão de orelha.

RC – Você costuma falar muito da sua equipe de trabalho, já que alguns estão com você desde o início desta caminhada. Qual a importância desses profissionais?

São os alicerces em volta, se a gente fala que quando se constrói uma casa tem que ser bem alicerçada em rocha firme, então essa rocha firme também são eles, porque nos momentos em que as coisas não vão bem, eles estão ali no dia-a-dia, fortalecendo, seja o auxiliar, seja o preparador físico ou o preparador de goleiros, são todos profissionais competentes, igual a todos que nos cercam, então acho que isso é uma comissão, pois o trabalho evidencia não é o eu e sim o nós, então o trabalho é fantástico em função do nosso.

OBS: Completando seis anos de clube junto com Cláudio Tencati, estão: Aléssio Antunes, auxiliar-técnico; João Carlos Ruiz, preparador físcio; Edson Sabiá, preparador de goleiros; Marcelo Rockencach e Joílson Ferreira, fisioterapeutas; Índio, massagista; e Chimbika, roupeiro.

RC – Como é o Cláudio Tencati fora do futebol, com sua família e se tem algum hobby?

A gente gosta de estar em família, é uma coisa que priorizo muito, por exemplo, não estou em atividade no clube, você com certeza vai me achar em casa, não sou muito de sair, até as crianças me perturbam direto para ir ao shopping, para esse lugar, para aquele, até prefiro ficar com eles em casa, brincar com eles em casa e não sair tanto, sou mais caseiro. Gosto de assistir um bom filme com minha esposa, nós adoramos assistir um bom filme, então nosso maior hobby é estar com casa com a família e curtir um bom filme.

RC – Como será o 2017 do Cláudio Tencati e o que planeja para os próximos anos?

Que tenhamos sucesso aqui no clube, nesta Série B com muito sucesso, nós vamos almejar lutar pelo acesso e que a gente faça uma grande campanha de novo, então esse é o objetivo e que aí pode abrir portas e mais portas, e em um futuro próximo, o Londrina na primeira [divisão nacional] ou eu estar em um grande clube da primeira que é um objetivo meu.

RC – O que é o Londrina Esporte Clube para você?

Praticamente eu digo que é 60% da construção profissional, em função de tudo que aconteceu neste período, estou no futebol profissional desde 2004 e de lá para cá a gente vem ganhando crescimento, mas não há dúvidas que no Londrina aprendi demais e desenvolvi demais o meu trabalho. Então, por onde eu passar vou ser eternamente agradecido ao clube em função de tudo que construiu a minha volta neste clube e neste momento, até mesmo por essa marca, que hoje nós somos a comissão técnica com mais tempo em um clube, o treinador mais longevo e tudo isso é construído por onde, pelo próprio clube que é o Londrina, então devo muito ao Londrina Esporte Clube!

Foto: Gustavo Oliveira/Londrina Oficial.

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Para chegar à final

Jornalista, formado na Unopar em 2015. Nasci e moro em Londrina. Apaixonado por esportes. Gosto de praticar aquele futebolzinho de final de semana. Futebol não é apenas um esporte, mas sim uma forma de viver.

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