16 de December de 2017 7:05:57

Campeões do Brasil: o ano do Atlético-PR

No dia 21 de março de 1924 acontecia a união dos clubes Internacional Futebol Clube e América Futebol Clube, e no dia 26, oficialmente, a diretoria do novo clube tomou posse, e surgia então, o Club Athletico Paranaense (grafia original da época).

Com as cores vermelho e preto, o Rubro Negro conquistou seu primeiro título de campeão paranaense, em 1925. Desde a sua fundação foram conquistados 34 títulos profissionais, sendo 23 estaduais (1925, 1929, 1930, 1934, 1936, 1940, 1943, 1945, 1949, 1958, 1970, 1982, 1983, 1985, 1988, 1990, 1998, 2000, 2001, 2002, 2005, 2009 e 2016); uma taça da seletiva para a Libertadores de 1999; duas Copas Paraná (1998 e 2003); seis títulos do Torneio Início do Paraná (1936, 1947, 1955, 1958, 1987 e 1988); e os dois títulos nacionais do Campeonato Brasileiro da série B em 1995 e da Série A em 2001; além de seis títulos de Torneios Nacionais e Internacionais,o Furacão se firmava como um dos grandes do cenário nacional de futebol.

Campeão Brasileiro

O ano mais importante da história atleticana é sem dúvida 2001, após ser eliminado na Copa do Brasil, o clube fez algumas contratações importantes, o time deu a volta por cima no Campeonato Paranaense e conquistou o bicampeonato sobre o Paraná Clube. “Depois de ter sido campeão brasileiro da série B em 2000 pelo Paraná Clube, fui contratado pelo Atlético-PR, fique muito feliz. A gente tinha um grupo muito bem formado, consciente do que tinha que fazer e me deram a responsabilidade de ser o capitão, foi uma época maravilhosa que jamais esquecerei”, conta o capitão Nei.

Depois da conquista o técnico Flávio Lopes deixou o comando da equipe para a entrada de Mário Sérgio, que também não ficou por muito tempo, com alguns resultados negativos seguidos e após dizer publicamente que as saídas noturnas dos jogadores estavam comprometendo o rendimento da equipe, o treinador deixou o cargo. A diretoria agiu rápido e trouxe Geninho, e logo na sua estreia o Furacão voltou a vencer, marcando 3 a 1 contra a Portuguesa, na Arena da Baixada, a partir daí foram 12 jogos de invencibilidade, uma recuperação impecável na competição.

Com o melhor ataque do campeonato, em 27 jogos da fase de classificação o Rubro-negro conquistou 15 vitórias, seis empates e seis derrotas, um total de 63% de aproveitamento, terminando na segunda posição, atrás apenas do São Caetano.

Concentração

Em meio à repercussão das saídas noturnas dos jogadores desde o começo da temporada, o capitão Nem em acordo com o técnico e demais atletas, definiram que os jogadores do elenco ficariam concentrados no CT do Caju durante a fase final do campeonato, para evitar saídas, bebedeiras e problemas que pudessem influenciar no rendimento e concentração da equipe. “Eu e mais alguns jogadores nos reunimos e decidimos que naquele momento era hora de se fechar, de chamar a responsabilidade pra gente e ficar na concentração no centro de treinamento, porque tinha muita gente torcendo contra, e falando muita coisa em relação a noite e a bebedeira, então nós jogadores decidimos ficar no CT por 30 dias, mas com algumas regalias é claro, depois dos jogos a gente continuava fazendo nossos churrascos lá dentro, a gente se divertia. Foi uma decisão que todo mundo entendeu e achou correto, era o momento certo de se fechar em prol de ser campeão, e graças a Deus deu tudo certo e conseguimos levar o título”, explica o capitão. Com o mesmo objetivo, a decisão foi aceita pela diretoria, comissão técnica e jogadores. “Todos encaramos na boa, o momento era maravilhoso o único pensamento era o título, e foi importantíssimo para conter a empolgação de todos”, completa o ex-zagueiro, Gustavo Caiche.

Nas quartas de final, o Atlético-PR enfrentou o São Paulo, venceu por 2 a 1 em casa e garantiu a classificação para às semifinais. Com um ataque devastador, a equipe enfrentou o Fluminense na fase seguinte, e com três gols do artilheiro Alex Mineiro, decretou a vitória na Arena da Baixada por 3 a 2.

Rumo ao título

O primeiro jogo da final foi ao lado da torcida atleticana, no dia 16 de dezembro, com a Arena lotada, o Furacão enfrentou o melhor time do Brasileirão daquele ano, com uma surpreendente campanha, o São Caetano era difícil de ser batido. Porém, o caldeirão era uma das armas do Furacão, e com mais três de Alex Mineiro, o Atlético-PR venceu por 4 a 2, pela segunda vez o camisa 9 marcava três gols em um jogo, era a sétima vez que Alex balançava as redes em apenas três jogos no mata-mata. O Rubro Negro foi para São Paulo com a vantagem de até perder por um gol que ainda sim ficaria com o título. “A torcida realmente fez a diferença, e como se costuma dizer o caldeirão fervia os adversários, eles tinham medo de vir jogar conosco e a vibração do torcedor era transmitida para dentro de campo. Éramos imbatíveis jogando em casa com nosso torcedor, a festa era linda e esta gravada para sempre na minha memória”, relembra o ex-zagueiro, Gustavo Caiche.

Torcida atleticana na final no Estádio Anacleto Campanella.
Foto: Murilo Silva

Dia 23 de dezembro no Anacleto Campanella seria decidido o campeão brasileiro de 2001, o torcedor Jean Carlos acompanhou o time durante o campeonato inteiro, inclusive no jogo que decidiria o título. “Ninguém acreditava no Atlético-PR no começo, nem o mais ferrenho atleticano acreditava chegar à final do Brasileiro. No jogo de volta a gente (torcida) saiu de Curitiba com a ideia de que já éramos campeões pelo resultado de 4 a 2 do primeiro jogo na Arena da Baixada. Depois ficamos sabendo que o técnico Geninho entrou no vestiário e disse para os jogadores que o título era deles, e que não podiam deixar ninguém tirar aquilo deles. Eu tive grandes alegrias, mas esse título está entre os maiores presentes da minha vida”.

Na decisão o Furacão aprontou para cima dos donos da casa, foram superiores e venceram por 1 a 0, com gol é claro de Alex Mineiro. E pela primeira vez na história o Clube Atlético Paranaense era campeão brasileiro de futebol. Para Nem um dos motivos que levou o Atlético-PR ao título foi a união da equipe. “Os principais fatores que fizeram com que a gente conquistasse o título foram a amizade o companheirismo e a vontade de um querer ajudar o outro. Era um grupo muito unido e equilibrado, é o que colocamos em primeiro lugar quando falamos de 2001, foi a parceria e amizade que tornou o Atlético muito forte naquele ano”.

O time que fez história no Furacão contou com Flávio; Gustavo, Nem e Rogério Corrêa (Igor); Alessandro, Cocito (Pires), Kléberson, Adriano (Souza) e Fabiano; Kléber (Ilan) e Alex Mineiro. Técnico: Geninho.

No final do campeonato o time paranaense em 31 jogos, somou 19 vitórias, seis empates, seis derrotas, e 68 gols marcados – melhor ataque da competição. Alex Mineiro e Kléber foram os artilheiros do time com 17 gols cada.

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<p>Formada em Marketing e Propaganda, estudante de Jornalismo na Universidade Tuiuti do Paraná. Estagiária do Transamérica Esportes, produtora no Balanço Esportivo, da Rede CNT e colaboradora do Redação em Campo. Apaixonada por futebol, camisas de times, livros e viagens.</p>

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