A Vila Maria de muito Luiz

Jogar em Bandeirantes, cidade do chamado “Norte Pioneiro” paranaense não era uma tarefa simples para as dezenas de equipes durante anos. Além do folclórico personagem Serafim Meneghel, dono do União Bandeirante – a equipe local, os adversários enfrentavam um estádio acanhado, com gramado muitas vezes irregular e um clima hostil vindo das arquibancadas. Reunindo a mística do seu cartola e o currículo de cinco finais do Campeonato Paranaense, o União Bandeirante passou a ser um adversário temido. O palco destas emoções: o Estádio Comendador Luiz Meneghel, mas que pode ser chamado de “Vila Maria”.

Foto: Divulgação

Construído em 1964, o Estádio Comendador Luiz Serafim Meneghel levava o nome do patriarca da família Meneghel, proprietária de uma usina de açúcar e criadora do “Caçula Milionário”, apelido dado ao União. Com capacidade aproximada para 8 mil pessoas, o recorde de público ocorreu em 1972, quando o time da casa enfrentou o poderoso Santos. Situado na Rua Vicente Inácio Filho, em Bandeirantes, o estádio assistiu ao último título do União em 1992, quando campeão da Segunda Divisão Paranaense e, no mesmo ano, fez a final do interior contra o Londrina, sendo derrotado.

Dotado de um grande lance de arquibancadas, ainda feitas com tijolos à vista, o estádio contava com área social, cobertura em parte do lance de arquibancadas e vestiários ao lado posterior das cabines de transmissão. Debaixo deste lance, até a demolição, funcionava a Borracharia União, uma característica comum dos estádios do interior: a utilização do porão das arquibancadas para abrigar repartições públicas ou até mesmo a dependência administrativa das equipes.

Demolição do estádio em março de 2018. Foto: Jonilson Rodrigues

Por uma dívida com uma empresa de gás local, o estádio quase foi a leilão em 2017 e, dois anos antes, houve a tentativa infrutífera de uma parceria entre a Prefeitura Municipal e a família Meneghel para a reforma do estádio e a reativação do clube, algo que não prosperou. De 2006 para cá, quando houve o rebaixamento e a definitiva inatividade do União Bandeirante, o estádio foi palco de shows e jogos amadores, mas sem contar com os devidos cuidados de quando era utilizado com frequência.

Em março de 2018, iniciou-se o processo de demolição do estádio, um dos palcos mais tradicionais do futebol do interior do Paraná, que inclusive abrigou jogos do Campeonato Brasileiro da Série C nos anos 2000. Os vestiários foram completamente demolidos e, com eles, o restante da história do futebol de Bandeirantes. Para quem esperava o retorno do “Caçula Milionário”, o fim do seu estádio, dotado de iluminação artificial (um luxo à época para os estádios interioranos), vai deixar saudade.

Foto: Tribuna do Vale

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Tiago Valenciano é Cientista Político por formação, mas apaixonado por futebol. Pesquisador sobre estádios de futebol, acompanha o futebol paranaense desde 2005.

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