A torcida que tem estádio, mas não tem time

Foto: SEM Facebook

Talvez um dos fatos mais curiosos da história do futebol paranaense ocorre na cidade de Cambará, localizada no Norte Pioneiro do Estado. É muito comum enxergarmos ao longo dos anos times de futebol buscando um espaço para realizar suas partidas. Muitos gramados são públicos, outros alugados e outros que nem campo tem. Das equipes que tem esta característica, há uma busca em comum por parte dos torcedores e dirigentes: a construção ou aquisição de uma casa própria. E foi isto que ocorreu com o Matsubara, equipe em ascensão futebolística na década de 1980. Havia um time, mas este não possuía um estádio.

O Matsubara, fundado por Sueo Matsubara, empresário agrícola, passou a ser um celeiro de formação de atletas. Com esta característica, o time foi uma fábrica de jogadores até os anos de 1990. Apesar do sucesso dentro das quatro linhas, não havia uma casa própria para o Matsubara. Foi aí que a TOM (Torcida Organizada do Matsubara) começou uma ampla campanha para a arrecadação de fundos, com vistas a construir um estádio na cidade. Quem não podia ajudar financeiramente contribuía com a mão-de- obra: serviços de carpintaria, pintura, de pedreiro, toda a população de Cambará auxiliava de alguma forma na construção do estádio.

Torcida Organizada do Matsubara. Foto: Divulgação

Assim que surgiu o Estádio Regional, a casa do Matsubara até a década de 1990. Diversas campanhas para a  arrecadação de fundos foram realizadas em Cambará, até que a construção completa do estádio ocorresse em 1995, finalizado com a capacidade para 16 mil torcedores aproximadamente. Buscando mais apoios, o Matsubara se transferiu para Londrina – apesar da concussão do Regional, o que fadou o time ao insucesso. Acumulando pouco público e sem estrutura dos empresários locais, o Matsubara encerrou as atividades e hoje não existe mais. No entanto, o Regional lá permanece: dotado de uma área coberta, com cadeiras numeradas e nomeadas por àqueles que colaboraram na construção, o estádio permanece, sendo recém reformado em 2015, com a pintura de diversas áreas. Os vestiários são subterrâneos e existem quatro torres de iluminação, além de cabines para a imprensa e bons acessos.

Hoje, após o falecimento de Vicente de Camargo, ex-presidente da TOM e entusiasta da obra, o estádio leva seu nome. Anexo ao Regional, havia o centro de formação de atletas do Matsubara, que está em ruínas. Fechado desde 2012, o CT e o Regional não abrigam mais o “Japonês do Norte”, um time que não tinha estádio, mas a torcida deu um “jeitinho brasileiro” para ajudá-lo.

Foto: Portal Tabajara Noticias

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Tiago Valenciano é Cientista Político por formação, mas apaixonado por futebol. Pesquisador sobre estádios de futebol, acompanha o futebol paranaense desde 2005.

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