25 anos do tricampeonato Paranaense do Londrina na Final Caipira

O dia 19 de dezembro de 1992 está marcado na cabeça de muitos torcedores do Londrina Esporte Clube, nesta data, aconteceu a terceira e decisiva partida da final do Campeonato Paranaense daquele ano. Na chamada “Final Caipira“, por reunir dois clubes do interior do Paraná e de cidades próximas, Londrina e União Bandeirante buscavam erguer a taça, que no final, ficou com o clube londrinense, após um gol de cabeça do zagueiro João Neves, que marcou o jogador para sempre.

O Campeonato Paranaense iniciou no mês de junho e se estendeu por sete meses, sendo uma das competições mais longas do estadual. O Tubarão disputou 25 partidas entre 1ª e 2ª fase, sendo que 12 partidas terminaram com o placar igualado, com incríveis dez jogos seguidos de empates. O técnico Varlei de Carvalho era taxado de “retranqueiro”, mas considerava os empates um bom resultado. Além de 12 empates, foram dez vitórias e apenas três derrotas, o que levou a classificação do Alviceleste as semifinais daquelas competição, pela frente, o Atlético Paranaense.

Nos dois jogos, novamente o Londrina ficou em igualdade, 3 a 1 para o Tubarão no jogo de ida, no Estádio do Café e 2 a 0 para o Furacão, na volta, no Estádio do Pinheirão. O Alviceleste jogava por alguns resultados para se classificar para a finalíssima, mas foi apenas nas penalidades máximas que ele conseguiu este feito, como lembra João Neves. “No jogo contra o Atlético, nós jogávamos por três resultados, jogávamos por um empate no tempo normal, uma derrota na prorrogação e iria para os pênaltis, então são três resultados e acabamos ganhando nos pênaltis”, comentou o camisa 4 do Londrina.

Passando para a final, o clube londrinense encontraria um dos seus grandes rivais, que na década de 80 e inicio da década de 90 faziam grande partidas, o União Bandeirante, que havia eliminado o Paraná Clube, também nas cobranças de pênaltis. Com o conhecimento das duas equipes finalistas, surgiu um grande problemas, onde o clube de Bandeirantes iria mandar seu jogo na final, pois o Estádio Comendador Luís Meneghel não tinha capacidade para realizar uma partida de final estadual. Após alguns dias de reunião, ficou decidido que as duas partidas e uma possível terceira, aconteceriam em Londrina, no Estádio do Café.

Finalíssima

No dia 6 de dezembro, a primeira partida da finalíssima, o Estádio do Café recebeu quase 30 mil torcedores que acompanharam uma partida fraca e de poucas chances, com o placar ficando zerado, com isso, se houvesse um novo empate no segundo jogo, aconteceria a terceira partida. Diferente do primeiro jogo, no dia 13 de dezembro, as duas equipes voltaram ao gramado do Café para decidir quem levava a taça para casa. Com quase 27 mil pagantes, os apaixonados por seus clubes puderam ver uma partida totalmente diferente do que aconteceu uma semana antes.

Logo no início da partida, o pedaço destinado aos torcedores do União Bandeirante vieram a loucura, com uma falta frontal ao gol de André Dias, Vanderlei cobrou falta rasteira sem chances para o arqueiro Alviceleste, o clube de Bandeirantes saía na frente. Novamente, no início da segunda etapa, mais um golpe do “Caçula Milionário”, Vanderlei acionou Alessandro, que com açúcar, serviu Zequinha, que bateu para o fundo das redes, 2 a 0 para o União Bandeirante.

No desespero, o Londrina se lançou para o ataque e em um bate-rebate dentro da área do União, Leco chuta e Everson se atira na bola, tocando a mão nela e o árbitro apontou para a marca da cal, pênalti para o Tubarão. Na cobrança, Tadeu deslocou o goleiro e colocou a bola rasteira no canto esquerdo do arqueiro Alvinegro. Para agravar a situação do Alviceleste, Aléssio e Luis Carlos se desentenderam e foram mais cedo embora para o chuveiro. Com 10 jogadores de cada lado, o União só se defendia e esperava por um contra-ataque.

Aos 45 minutos do segundo tempo, já chegando ao final da partida, a torcida do União Bandeirante praticamente comemorava o inédito título estadual, após ser quatro vezes vice-campeão. Há quem diga, que o presidente do clube Alvinegro, Serafim Meneghel já estava com suas armas apontadas para cima, para celebrar a conquista do clube, mas Márcio Alcântara estragou tudo. Em uma falta pela esquerda, Tadeu cobrou a bola fechada, o goleiro Anselmo saiu mal da meta e Márcio, de peixinho, no segundo pau, cabeceou a bola para o fundo das redes, fazendo o Estádio do Café tremer de vibração com o empate do Londrina.

Momento em que Márcio Alcântara olha a bola no fundo da rede e vai provocar o banco do União Bandeirante. Foto: J. Pedro/ Folha de Londrina.

“Imaginar que tudo estava perdido, que um campeonato inteiro, nós perdendo de 2 a 0, o time do União no caso era melhor que o nosso, tinha demonstrado isso o campeonato todinho e nós já estávamos assim ‘ não dá mais’, ‘o União é campeão’, aí acontece uma falta na ponta esquerda, fomos para o ataque e tive a felicidade de estar no lugar certo, na hora certa. Houve o cruzamento, o goleiro fala que teve um toque de mão, mas a bola sobrou para mim, o lateral do União, Vanderlei me deixou sozinho e eu fiz o gol”, relembra Márcio Alcântara o gol que muitos dizem que foi o gol do título.

Com o apito final, estava concretizado que haveria uma terceira partida e a torcida do Londrina, não acreditando no que aconteceu, invadiu o gramado para comemorar e muito atravessaram o gramado de joelhos. Desgastados pelos dois jogos anteriores, no dia 19 de dezembro, Londrina e União Bandeirante voltaram ao Estádio do Café, para agora sim, decidir o campeão Paranaense de 1992. Pouco mais de 26 mil pessoas pagaram ingresso, num total de 31.139 torcedores. Desanimados pelo empate no último lance da segunda partida, a torcida do clube bandeirantense não compareceu como nos dois últimos jogos.

A torcida do Londrina fez muita festa nas arquibancadas no terceiro jogo da final. Foto: Milton Dória/ Folha de Londrina.

Desfalcados de Aléssio e o herói do último jogo, Márcio Alcântara, o Tubarão apostou em João Neves na defesa e em um time mais defensivo para a partida decisiva. Após uma dura entrada de João Neves em Alessandro, Avarildo e Tadeu se desentendem e os dois jogadores são expulsos, depois do árbitro mostrar o cartão vermelho para ambos, uma grande confusão acontece no centro do gramado, onde a polícia teve que adentrar na partida para separar os jogadores e acalmar os ânimos, retirando os dois jogadores expulsos do gramado. O técnico interino do Londrina, Aldivino Generoso e o treinador do União, Geraldo Roncato também são expulsos.

Alguns minutos depois, em falta pelo lado esquerdo, Roberto cobrou para dentro da área e João Neves, no que referiu como a melhor cabeçada da sua carreira, colocou a bola no fundo das redes do goleiro Anselmo, 1 a 0 para o Londrina. Na comemoração, o zagueiro correu para a placa da cerveja Skol e vibrou muito. Depois do final da partida, veio à tona o porque daquela comemoração. “Para ser campeão paranaense, nós tínhamos 80 caixas da Kaiser, o Zefirino Pasquini, que já faleceu, me disse, ‘João, tem 80 caixas da Kaiser para ser campeão e mais 20 da Skol, mas se você fizer o gol, precisa ir na placa e comemorar’, isso antes de começar a partida”, explicou o autor do gol do título, que completou. “Fui lá, fiz o gol, fui na placa da Skol, pois só de ter o título, você ganhava 80 caixas da Kaiser, para ganhar as 20 da Skol, era preciso ir na placa e acabei fazendo o número 1 na comemoração e também ganhei da Brahma”, lembra aos risos o zagueiro João Neves.

Jogadores do Londrina comemoram o título de Campeão Paranaense de 1992. Foto: Milton Dória/ Folha de Londrina.

Mesmo com chances perdidas dos dois lados, a partida termina em 1 a 0 para o Londrina e o tricampeonato para o Tubarão, que voltará a vencer um estadual após 11 anos. Com o apito final, o gramado novamente foi tomado por torcedores do Londrina pagando as promessas de uma semana antes e que ficou azul e branco. “Naquela época conseguimos um triunfo dentro do futebol paranaense e de Londrina, entramos para a história, hoje em dia a ficha caiu, entramos para a história do clube, mas não só uma história recente, mas para uma história toda do clube, que nos deixou conhecido principalmente em Londrina e no Paraná todo”, finalizou João Neves.

Foto: Milton Dória/ Folha de Londrina.

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Jornalista, formado na Unopar em 2015. Nasci e moro em Londrina. Apaixonado por esportes. Gosto de praticar aquele futebolzinho de final de semana. Futebol não é apenas um esporte, mas sim uma forma de viver.

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